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Anvisa pode rever banimento do acetato de chumbo em tintura






Em reunião que acontece hoje, em Buenos Aires, dos comitês técnicos específicos para a área de cosméticos dos órgãos sanitários dos países do Mercosul, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderá anunciar que está revendo a posição brasileira sobre a proibição do uso de acetato de chumbo nas formulações de tinturas progressivas para cabelo, disse uma fonte do mercado.

O bloco havia se comprometido, no final de 2004, a banir o acetato de chumbo de cosméticos pela sua alta toxicidade. O produto também pode provocar deficiência mental em crianças, quando em doses elevadas, e câncer em animais que têm contato com águas contaminadas, informou o toxicologista Anthony Wong, chefe do Ceatox, do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo. Desde os anos 1990, o chumbo está banido no Brasil - entre outros países - da formulação da gasolina e de alguns outros produtos, mas o uso do acetato persiste nos cosméticos em diversos países, como os Estados Unidos, por exemplo.

Pelo acordo entre o bloco do Mercosul, a Anvisa baixou portaria em janeiro de 2005 colocando em consulta pública a proibição do acetato nos cosméticos. O banimento aconteceu em 31 de julho de 2005 e a proibição de comercialização, em 31 de janeiro deste ano. Entretanto, segundo a fonte, apenas os principais fabricantes de tinturas progressivas se prepararam e substituíram o produto, a tempo, pelo bismuto. Os investimentos nas linhas de produção para a troca pelo novo insumo, disse a fonte, e o preço do bismuto não são impactantes.

Entretanto, os pequenos produtores, que respondem por cerca de 70% do mercado, estimado em torno de R$ 100 milhões pela Associação da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), não se adaptaram e o mercado continua com grande parte das cerca de 150 mil unidades de tinturas vendidas por mês contendo chumbo. A fonte acredita que essas empresas ainda não fizeram a substituição por causa da menor qualidade da tintura com a utilização do bismuto, em termos de cor, o que poderia resultar em perda de mercado e aumento de reclamações de consumidores.

O presidente da Abihpec, João Carlos Basílio da Silva, disse que os fabricantes de menor porte não se adequaram a tempo por falta de conhecimento das novas normas, o que, reconheceu, foi uma falha. Mas, quando a proibição ocorreu, eles recorreram à entidade em busca de solução. "Investimos em estudos de toxicidade, buscamos informações com órgãos correlatos de diversos países e descobrimos que essa matéria-prima em cosméticos não compromete a saúde do consumidor. Por isso, a Anvisa aceitou fazer uma revisão das normas", afirmou.

Para Wong, estudos recentes mostram o contrário. "Se há riscos de câncer em animais, há para os humanos também." A Anvisa informou que só se manifestará após a reunião de hoje.
 
Fonte: Gazeta Mercantil
15/05/2006

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